Mulheres na arquitetura

No mês do Dia Internacional da Mulher não podemos deixar de homenagear aquelas que representam a maioria no setor da arquitetura e urbanismo. Um levantamento do Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Brasil (CAU), em 2019, traz que 63,1% dos arquitetos e urbanistas ativos no país são mulheres.

A presença das mulheres está em um grande processo de consolidação. Se antes, elas foram apagadas na arquitetura, hoje elas estão cada vez mais na linha de frente. Essa afirmação é materializada com os resultados das eleições do CAU em outubro passado. Na eleição dos conselheiros estaduais e federais para a gestão 2021/2023 do Conselho, 210 mulheres foram escolhidas para ocupar parte das 411 posições disponíveis, representando 51% de ocupação.

Além disso, em janeiro de 2021 foi eleita a primeira mulher para a presidência do CAU/BR. A eleição de Nadia Somekh demonstra ainda mais essa crescente força das mulheres na área. 


Considerando toda a importância das mulheres e toda a importância das arquitetas e urbanistas para a Liven Casa, nós decidimos trazer ainda mais reconhecimento neste mês de março. Neste post vamos contar histórias de mulheres fortes e inspiradoras que são referências na arquitetura.


Sophia Hayden Bennett

Infelizmente, devido às estruturas rígidas das sociedades mais antigas, grandes nomes femininos foram apagados e tiveram suas contribuições esquecidas. A chilena Sophia Hayden Bennett, nascida em 1868, foi a primeira mulher a receber o título de arquiteta a se formar no MIT (Instituto de Tecnologia de Massachusetts).

Sophia se formou em 1890, no entanto, devido a questões machistas que a impedia de atuar como arquiteta, tornou-se professora de Desenho Técnico.

Contudo, 1 ano depois, viu um anúncio que convocava arquitetas para o projeto do Edifício da Mulher, que faria parte da Exposição Colombiana em Chicago. Hayden se inscreveu com uma proposta de um edifício de três pavimentos no estilo renascentista e teve seu projeto escolhido dentre 13 propostas. Na época, Hayden recebeu mil dólares por seu projeto, o que representava cerca de 10% do valor que os arquitetos homens receberiam por um projeto equivalente.

Na construção do edifício houve constantes embates entre o comitê de construção e  arquitetura. Sob rumores de que Hayden teria surtado, ela foi colocada em um sanatório por um período forçado e foi impedida de comparecer à inauguração do edifício. Este fato foi utilizado por muitos homens como justificativa de que mulheres não poderiam ser arquitetas.




Norma Merrick Sklarek

Norma Merrick Sklarek foi pioneira em muitas coisas. Ela foi a primeira mulher afro-americana a receber a licença de arquitetura e a tornar-se membro do AIA (Instituto Americano de Arquitetos). No entanto, quando se formou, não conseguiu ser contratada por nenhuma empresa de arquitetura e Norma foi trabalhar no Departamento de Serviços Públicos de Nova Iorque.

Somente 4 anos depois, Norma conseguiu um emprego fixo em um escritório de arquitetura. Depois disso, ela se destacou, sendo responsável por projetos importantes, como a Embaixada dos EUA em Tóquio e o Pacific Design Center. Em 1985 ela se tornou mais uma vez a primeira: foi a primeira mulher negra a abrir uma firma de arquitetura. Ela abriu sua empresa juntamente com as arquitetas Margot Siegel e Katherine Diamond, que foi uma das maiores firmas de arquitetura do país.

Como alguém que passou por muitas dificuldades, por ser mulher e afro-americada, Sklarek decidiu se dedicar para oferecer aos outros o que não tinha em sua trajetória. Ela era mentora e inspiradora de arquitetas femininas e outras minorias.


Denise Scott Brown

Nascida na Zâmbia, em 1931, a arquiteta Denise Scott Brown iniciou sua graduação na África do Sul e concluiu em Londres, fazendo um mestrado posteriormente nos Estados Unidos. Já nos Estados Unidos, realizou a maioria dos seus projetos em parceria com o seu marido Robert Venturi, também arquiteto. Além dos diversos projetos de arquitetura e urbanismo, ela também escreveu o livro “Aprendendo em Las Vegas: o simbolismo esqueceu-se da forma arquitetônica”.

Conforme já foi dito, a arquiteta Denise Scott Brown trabalhava em parceria com seu marido. No entanto, em 1991, somente o marido recebeu o Prêmio Pritzker de arquitetura em uma obra fundamentalmente constituída pelos dois.



Lina Bo Bardi

A italiana Lina Bo Bardi, nascida em 1914, mudou-se para o Brasil em 1946 e construiu boa parte de seu legado no Brasil, como a Casa de Vidro, o Museu de Arte de São Paulo (MASP), o SESC Pompeia e outras obras.

A arquiteta era muito envolvida com a cultura e possuía impulsos revolucionários e políticos e isso influenciou os seus projetos. Ela acreditava que na antropologia aplicada à arquitetura, acreditava que o espaço deveria ser vivido pelas pessoas e não ser apenas esteticamente agradável.

Apesar de hoje ser reconhecida e ser considerada uma arquiteta de grande sucesso, Lina Bo Bardi passou por grandes dificuldades por ser mulher e estrangeira, além de possuir um estilo moderno e ousado que era totalmente diferente do comum na época.


Zaha Hadid

A iraquiana Zaha Hadid é uma das arquitetas mais conhecidas no mundo e tem seu trabalho marcado por linhas ousadas e expressividade, com curvas, formas e perspectivas, geralmente inspiradas na natureza.

Zaha foi a primeira mulher a receber o prêmio Pritzker, que é a maior premiação da arquitetura internacional, e também a medalha de ouro do Royal Institute of British Architects.



Rosa Kliass

Rosa Grena Kliass foi a primeira mulher paisagista do Brasil. Durante sua carreira, recebeu diversos prêmios e contribuiu imensamente com o paisagismo brasileiro, inclusive fundando em 1975 a Associação Brasileira dos Arquitetos e Paisagistas - ABAP.

Kliass foi responsável pelo plano urbanístico e paisagístico da cidade de Curitiba, pela reestruturação do Vale do Anhangabaú e pela conversão do Presídio do Carandiru no Parque da Juventude, dentre várias outras obras.


CONCLUSÃO

Neste mês de março e em todos os meses, reconhecemos a força da mulher e sua importância. Desejamos muitas conquistas e queremos que saibam que todas têm um espaço especial na nossa casa.

Essas são algumas mulheres que fizeram história na arquitetura e, no nosso instagram, estamos mostrando mulheres que fazem parte da história da Liven Casa.

Para você não perder nadinha, basta seguir a gente no Instagram @livencasa e conhecer todas melhor.

Feliz dia das mulheres!